Sempre repito: somos seres espirituais em uma experiência material, não o contrário. Diante disso, tudo toma uma diferente perspectiva.
O espiritismo, que é a linha religiosa que mais fala sobre a relação entre o mundo espiritual e o físico/material nos traz a mensagem de que antes de encarnar, escolhemos os pais que irão nos trazer o que precisamos viver, de acordo com uma série de fatores, tais quais nossos resgates de vidas passadas, a possibilidade de crescimento que aquela família nos fornecerá, as pessoas do mesmo grupo de almas que ali estão juntas, e o que iremos aprender.
O momento de escolha da família até o nascimento propriamente dito, é mágico, realmente muito especial, um preparo profundo que fazemos, uma escolha que envolve diversas pessoas no processo e, portanto, sagrado por natureza.
O mais óbvio seria que pudéssemos receber o filho ou filha que chega neste mundo com respeito e reverência por tudo isso e, ainda, nos preparamos para este momento não só fisicamente, ou mentalmente com informações, mas também espiritualmente. E a equipe que estivesse encarregada, por escolha nossa, de nos auxiliar neste processo, também deveria estar ciente de que não é "mais um que nasce", mas um momento único de duas almas que recebem uma vida.
Nascer ainda é tratado com descaso, medo, banalidade, desrespeito, despreparo por muitos, não todos, mas muitos. Felizmente, isso vem mudando. Graças ao filme "O Renascimento do Parto", o Brasil está evoluindo gradativamente nesta área, as doulas se proliferando, ganhando espaço e respeito.
A dimensão da gravidez, do nascimento e dos primeiros anos do espírito que encarna com sua missão única, e da família que a recebe, ainda estão se revelando. O parto sem dor, antes um privilégio de algumas, já é de conhecimento de que não é privilégio, mas o que acontece se permitimos que nosso corpo faça o que nasceu para fazer. O medo está sendo substituído pelo conhecimento, e conhecimento gera coragem. As mulheres estão lutando cada vez mais por seus direitos e empoderamento e espero viver para ver a frase "lutar por direitos" não ser mais utilizada, mas sim substituída por um senso comum de que o respeito à vida, não apenas dos profissionais que lidam com o parto, mas também por parte da mãe, é algo natural e o melhor para todos, com alegria e entrega ao parir.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2014
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Lugar de bebê dormir é...
Em meu livro partilho minha experiência e opinião sobre bebê dormir no seu próprio quarto. Ontem uma querida amiga mãe que está grávida do segundo contou estar sofrendo com a falta de sono e acabei escrevendo-a na intenção de auxiliar neste momento delicado que todas passamos e achei que gostariam de ler:
"Querida amiga,
Praticamente todos os pais que conheço ou já ouvi falar, salvo raros casos, enfrentam a mesma dificuldade: como fazer o bebê dormir no quarto dele.
Primeiro quero que entenda o que acontece com a criança:
O bebê sente frio, fome, insegurança, não entende os ritmos como nós, tem um corpo frágil e o instinto natural é precisar de proteção.
Em minha sincera e estudada opinião, baseada em fatos, estudos e experiência, não acredito em manha ou que filhos precisam dormir separados, se obervar os mamíferos de todas as espécies, todos dormem com a mãe até que se sintam seguros e, depois, se separam para não mais precisar das mães.
O que acontece normalmente é que os filhos sentem a natural necessidade de dormir perto dos pais, o que não é nada se pensar que os primeiros 3 anos, que é o máximo que dura este periodo, passam rápido e depois passarão muito anos a mais com vocês.
Pense o seguinte, o que é prioridade agora, prioridade mesmo: dormir bem, ter um bebê que durma para que possa dar conta da gravidez e da vida com mais tranquilidade e menos stress. Quanto a você e seu marido ficarem juntos, para isso não precisam de um quarto, sabe disso, precisam de amor um pelo outro, o resto será quando o baby dormir e não necessariamente no quarto de vocês, especialmente neste período, que passa.
Você vai receber mais um bebê em breve, o que significa menos sono ainda, já pensou nisso?
O pior dessa rotina cansativa é que entramos em um ciclo doentio de culpa, dúvida, desespero e cansaço, o que gera reações automáticas para fazerem com que o bebê durma e não necessariamente resolver o problema. Outro agravante do bebê não dormir é um bebê que fica chatinho, no sentido de ficar com sono o dia todo, não sabe o que quer, acaba mamando mais, dormindo picado, enfim, como nós. Um bebê descansado é tranquilo.
Com a finalidade de ajudar,partilho contigo algumas coisas que funcionaram para mim e acredito que possa te servir:
Eu priorizo a intuição, o fácil, no sentido de ser o que faz sua alma sorrir e é possível no momento, e a flexibilidade. A vida é curta, os bebês crescem, são uma bênção e o casal se adapta, portanto, siga seu instinto! Olha que lindo isso, seja livre, livre de conceitos, de "o que devo fazer", de "o que aprendi nos livros" e siga seu coração. No momento, com o cansaço o discernimento fica nublado, ainda que ame seu baby e ser mãe, portanto, te passo o que aconteceu comigo ao seguir minha intuição (e estudar sobre isso também :) ).
A mãe sente o bebê, verifique o que sente com ele por perto. Eu sempre me sentia melhor com meus bebês por perto durante a noite, mais segura e parecia sempre a coisa mais certa a fazer.
Dormir na minha cama jamais, preciso dormir, amo dormir e sempre fico com o sono muito leve com bebê na minha cama, então, visando o bem de todos, pois também existo, criei um cantinho do bebê ao meu lado, com tudo ao alcance da minha mão, coisa de preguiçosa mesmo, e foi ÓTIMO!
Tirei tudo do criado mudo e transformei em um kit com o que precisaria durante a noite, e um abajour com luz bem baixinha. Colado na cama logo após ficava uma caminha, um cesto com colchão, ou um carrinho grande, ou um berço sem grade, o que tiver, de preferência um nível abaixo da cama e grudado na cama, para ficar mais fácil ainda para mim pegar o bebê sem que ele acorde quando ia amamentar. Amamentava sem quase mecher no bebê durante a noite, sem me levantar, sem despertar e por vezes adormecia com ela no colo, numa boa.
E o que aconteceu?
Muitos benefícios!
- A cama era toda minha e de meu amor
- O bebê se sentia seguro e dormia mais
- Por não precisar levantar ou ficar em alerta tendo que adivinhar de longe do que se trata o choro do bebê, eu descansava muito mais
- O bebê passou a diferenciar mais o dia da noite pois nunca falava com ele, só se necessário, e sempre baixinho, quase sem luz, de preferência nem acendia a luz se visse que não era necessário, só colocava a mão nele e voltávamos todos a dormir
- Depois, ao crescer, o bebê ao passar para seu quarto novo se sentia mais seguro por já ter passado pelo período de mais insegurança se sentindo protegido
- Eu e o George passamos a ficar mais descansados e passamos a saber quando as crianças estavam realmente dormindo para podermos sair do quarto e namorar um pouco, ver filme... com elas seguras e descansadas.
- As meninas passaram a acordar descansadas e com cara de alegria, seguras, sem terem sentido uma noite insegura
Muita gente pensa que a criança que se acostuma a dormir com os pais não se acostuma depois a dormir sozinha, mas o que não entendem é que não é uma vontade, é uma necessidade e que passa depois que não precisam mais de tanta proximidade. Eu tenho provas de que é assim, cinco filhas dão experiência! Lógico que um dia ou outro elas sempre pedem, mas é normal até que cresçam.
Outra coisa que é bom de se fazer é sempre que for a hora de dormir ir aquietando, diminuindo a luz, não dar comida à noite (isso é super importante - tirar a mamada da noite é horrível, mas depois de 3 dias a uma semana o bebê não pede mais e é um alívio ele dormir direto e não trocar fralda de noite) e fazer algo que o relaxe nesta hora, tipo um banho quente."
Deseja adquirir o livro?
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terça-feira, 24 de junho de 2014
Reportagem esclarecedora da renomada Ina May sobre o processo do parto
Estamos em uma era abençoada para as futuras mães. Despertando para quem realmente somos, para o respeito e compreensão sobre como auxiliar no processo do parto em perfeita sincronia com nosso corpo.
Pense o seguinte: nosso corpo é perfeito mas, para que consiga trabalhar de forma harmônica, perfeita, indolor e natural precisa de condições favoráveis. As respostas são tão simples que até parece engraçado: quanto mais confiamos no processo do corpo, quanto mais proporcionamos momentos de prazer, alegria, relaxamento, respeito, mais o corpo relaxa e permite que suas funções aconteçam.
Ina May trabalha com parto desde os anos 80 como doula, autora de vários livros sobre o assunto. Nesses 3 vídeos ela partilha um pouco de sua sabedoria. Estão em inglês.
Pense o seguinte: nosso corpo é perfeito mas, para que consiga trabalhar de forma harmônica, perfeita, indolor e natural precisa de condições favoráveis. As respostas são tão simples que até parece engraçado: quanto mais confiamos no processo do corpo, quanto mais proporcionamos momentos de prazer, alegria, relaxamento, respeito, mais o corpo relaxa e permite que suas funções aconteçam.
Ina May trabalha com parto desde os anos 80 como doula, autora de vários livros sobre o assunto. Nesses 3 vídeos ela partilha um pouco de sua sabedoria. Estão em inglês.
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quinta-feira, 13 de março de 2014
Hora de comprar o livro!
Por um "acidente" da livraria Saraiva, meu livro está por R$2.99 e será alterado em algumas horas. Por conta disso, a Amazon.com.br também alterou o preço do livro para R$ 2,99 e também será alterado em algumas horas.
Achei divertido e, como a intenção é que leiam, quem quiser comprar a um precinho bem camarada, é agora!
O livro não trata somente de parto, mas conta também minha trajetória como mãe e pessoa, além de ferramentas de fortalecimento pessoal. Sugiro a leitura a todos.
Link para o ebook na Saraiva: http://bit.ly/1iGlP3F
Link para o ebook na Amazon: http://bit.ly/1foj4w6
Achei divertido e, como a intenção é que leiam, quem quiser comprar a um precinho bem camarada, é agora!
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terça-feira, 11 de março de 2014
Lançamento de meu livro "Parto Sem Dor: Você Também Pode!"
É com grande alegria que lanço meu primeiro livro!
Passei anos escrevendo sobre minha experiência como mãe para que, um dia, se tornasse um livro.
Durante minha última gravidez, acabei me deparando com o conceito do parto sem dor.
Mergulhei neste lindo e profundo processo, podendo vivenciá-lo.
No livro partilho minha vivência e experiência como mãe e com o parto sem dor.
Para saber mais e adquirir meu livro, disponível somente em formato ebook pela Amazon.com, basta clicar na imagem abaixo:
Passei anos escrevendo sobre minha experiência como mãe para que, um dia, se tornasse um livro.
Durante minha última gravidez, acabei me deparando com o conceito do parto sem dor.
Mergulhei neste lindo e profundo processo, podendo vivenciá-lo.
No livro partilho minha vivência e experiência como mãe e com o parto sem dor.
Acredite, é possível!
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
Meu Parto Sem Dor - o nascimento da Pérola
Queridas pessoas que acompanham o blog e minhas postagens, pensei muito se deveria contar aqui a experiência de meu parto sem dor e, conversando com uma escritora, ela me orientou que, se eu quiser que meu livro sobre o parto sem dor seja publicado, eu não deveria fazer isso pois não seria uma história exclusiva mais e a própria editora que vier a se interessar na publicação poderá desistir já que o apse do livro estaria publicado na internet... Pensei e vi que faz sentido e, como desejo trilhar este caminho de escritora, tenho que seguir suas regras.
Diante disso, peço perdão aos que aguardaram para lerem este relato e peço também paciência para lerem tudo na íntegra quando o livro sair. Esta semana envio para uma editora que publica livros no assunto, cruzem os dedos por mim!
Estive em férias e, por conta disso, pausei minhas postagens. Logo, logo voltarei a postar com maior frequência.
Enquanto isso vou mudando a aparência do blog, o que acharam?
Grande abraço a todos!
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segunda-feira, 30 de maio de 2011
Parto Sem Dor: Você Também Pode! O Nascimento da Leona Luz
Passei um tempo sem postar por ter ficado sem internet e por conta da demanda do lar e da vida mesmo. Como prometi, estou postando o parto de minha quarta filha, comentem, vou ficar feliz em saber o que pensaram sobre a experiência e o que mais quiserem dizer. Abraço!
Nascimento da Leona Luz
05 de agosto de 2006, 13h35min
Enfim, engravidei pela quarta vez.
Já sabíamos que iria acontecer a qualquer momento e falávamos para todo mundo que teríamos quatro.
Eu não esperava, mas minha saúde, agora com 30 anos, já não respondia tão bem à gravidez e tive muita dificuldade durante todos os nove meses. Tudo era muito ruim, sofri fisicamente com cada sintoma e isso me fez nunca mais desejar engravidar.
Por conta disso e do traumático parto da Iara Vida, não me senti saudável para encarar um parto em casa, embora tenha tentado, no meu íntimo, não realmente me senti segura.
Quando minha bolsa estourou, chamei a parteira e Tracie, uma amiga doula, para o parto. Minha mãe estava comigo e o George também.
Desta vez, o trabalho de parto iniciou-se de manhã. A bolsa estourou e um líquido esbranquiçado começou a sair. Diante de todo o medo que já nos circundava (no fundo eu não achava que teria forças para ter em casa), acabei indo para o hospital em uma cidade com mais recursos, no qual um médico já me aguardava. Senti-me um pouco triste e decepcionada comigo mesma e chorei durante o trajeto até o hospital.
As contrações foram se intensificando durante o percurso. Fomos eu e o George. Desta vez minha mãe precisou ficar em casa com as outras meninas.
O hospital, embora fosse público, era muito melhor em termos de recursos do que onde tive a Iara Vida. Lá chegando, pude conhecer o tratamento padrão de uma parturiente em um hospital que dizia fazer parto humanizado.
O médico demorou a me atender, e o líquido amniótico continuou vazando. O médico me pediu para entrar e, enquanto fazia o exame de toque, ele conversava com outro médico. Tentei fazer um contato mais humano em um momento tão especial e delicado para mim, mas foi em vão.
Embora ele não tenha sido antipático, nitidamente eu era mais uma ali. Logo de cara, pelo rápido exame de toque, disse que o bebê era grande (algo que um médico não deveria dizer) e que logo iria nascer. Virou-se para o outro médico e disse (sem me perguntar nada!): “Prepara a sala de parto para a cesariana e a ligadura”. Eu então acenei para ele, um pouco irônica, pois parecia absurdo ele nem me perguntar o que eu queria, dizendo: “Oi, eu estou aqui! Quero parto normal.”
O médico me olhou intrigado, com um sorriso espantado no rosto, e disse: “É mesmo, você quer normal?!”, como se fosse a coisa mais curiosa e rara do mundo.
Fui encaminhada para a sala de parto “humanizado”, com o George me acompanhando. Aplicaram-me o soro indutor por volta do meio-dia e, lá pelas 3 da tarde, o bebê já estava coroando.
Até aquele momento, de humanizado só vi uma sala bonitinha onde uma pessoa pode ficar com você, mais nada.
Quando percebi que as contrações estavam fortes, o médico foi chamado e me fez deitar para fazer o exame de toque, coisa que não queria porque já estava muito perto do parto. O bebê já estava nascendo e me fizeram deitar na cama com a cabeça já saindo. Levaram-me para uma sala de parto ao lado e o médico insistiu para que eu me posicionasse sentada, na posição padrão para parto em hospitais.
Bem, eu já havia parido três vezes e nunca havia conseguido ficar naquela posição, dói muito mais. Em meu estado de transe e minha condição física (sem os pés), não me pareceu favorável.
Em um gesto desesperado e visceral, posicionada de quatro na pequena mesa de parto, forcei a expulsão do bebê de uma forma que não queria. O médico, que já era outro, não se mostrou nem um pingo complacente ou generoso com minha condição especial, pedindo de forma grosseira que eu me deitasse e insistindo que eu estava dificultando seu trabalho (!!!!!). Senti-me profundamente constrangida com a bebê abaixo de mim, ensangüentada. Ainda evacuei um pouco e o George me limpou correndo para evitar mais exposição; enfim, foi muito desagradável.
A bebê era linda, enorme, gordinha e nasceu bem vermelha. Todas as minhas filhas, com exceção da Iara, que nasceu menorzinha, nasceram com mais de 3 kg e mais de 50 cm.
Após a expulsão, me deitei e pude verificar que minhas pernas não alcançavam o apoio para pernas, eu teria caído!
Notei a expressão de vergonha no rosto do médico ao constatar isso. Ele esperou a placenta sair e tirou líquido de meu cordão umbilical sem me perguntar nada. Coletou células-tronco sem prévia autorização... Não seria isso um crime?
Leona foi imediatamente tirada de mim e mexida e limpada grosseiramente com pano. Enfiaram coisas nela, pingaram coisas nos olhos dela, furaram o pezinho dela, enfim, aplicaram nela o que chamam de procedimento padrão. Ninguém merece tanto desrespeito à vida! George assistia horrorizado e impotente. Não quero que pensem que sou contra procedimentos hospitalares que visem salvar vidas, mas um bebê que chega ao mundo saudável deveria receber um tratamento no mínimo super delicado e não é o caso de jeito nenhum.
Logo fui levada para a enfermaria, ainda sem a bebê, o que me causou insegurança. Pedi ao George que não saísse de perto dela de jeito nenhum. Em hospitais assim, o risco de roubo ou troca é grande.
A enfermaria continha várias mulheres e um banheiro horrorosamente sujo. Meu marido não podia ficar e exigi uma acompanhante, o que foi uma dificuldade enorme, sendo que é obrigatório por lei para pessoas com dificuldades especiais como eu. Minhas dificuldades são reais, nenhum lugar é adaptado e eu acabara de ter um bebê.
Novamente me senti exposta em um momento que deveria ser de pura acolhida e sensibilidade.
Tomei um banho rezando para não sair dali contaminada e me trouxeram a bebê. Ela era simplesmente linda, parecia uma bebê maiorzinha, gordinha, fofa! Senti-me com uma boneca no colo.
Já com muita experiência, é muito gostoso ter um novo bebê, sentimos que a vida realmente se renova. George sempre dava um jeito de chegar perto e ficar um pouco, acabando por causar polêmica no hospital. Minha cunhada, Elke, foi ótima e me deu todo o apoio do mundo.
Já tínhamos a idéia de que se chamaria Leona e minha mãe havia pedido para homenageá-la colocando o segundo nome de Luz, já que seu nome espiritual e artístico desde a adolescência é Vera Luz.
Pronto, estava escolhido: Leona Luz!
Tive que dormir ali, com muito barulho o dia todo. Atendimento ruim, higiene ruim, enfim, nada que propicie realmente um parto ou uma recuperação tranquilos. Pude ver coisas ainda piores acontecerem com quem não sabia lutar por seus direitos. Saímos brigados com o hospital, isso foi inevitável.
Não foi o fim do mundo, mas foi uma situação longe do ideal.
Desci pelo mesmo caminho pelo qual saí e encontrei uma menina que, há dois dias esperava na sala de parto “humanizado” para ter o bebê. Simplesmente, a garota, que sangrava entre as pernas, tinha uma mecha enorme de cabelos brancos, que não existia antes, de estresse!!! Parto humanizado uma ova!!!!
Leona é super saudável, de temperamento decidido e, como todas, muito amada e amparada. Minhas filhas são nossas vidas e muitos as amam.
Livro: Parto Sem Dor: Você Também Pode!
Autora: Maria do Sol
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Parto Sem Dor: Você Também Pode! O Nascimento da Iara Vida
Partilhando a história do parto de minha terceira filha. Literalmente sobrevivemos!
Nascimento da Iara Vida
12 de março de 2002, 09h10min da manhã
Em 2002, minha vida como eu a conhecia tomou outros rumos. Mudamos-nos da fazenda, buscamos novos horizontes e engravidei novamente. Embora soubéssemos que teríamos mais filhos, fiquei muito apreensiva. Foi uma gravidez sensível, chorei muito durante toda a sua duração por vários motivos pessoais, o que me gerou muita insegurança e até uma depressão.
Nosso estilo de vida simples e minha deficiência nos expunham e muita gente foi contra eu estar grávida. Houve momentos nos quais me senti uma criminosa andando na rua, exposta por algo que era uma benção para quem mais importava: eu, meu marido e minhas filhas.
Toda essa apreensão fez com que, aos 4 meses de gestação, eu tivesse uma ameaça de aborto e fosse parar no hospital, onde fiquei internada. Me lembro de ter o George ao meu lado, no medonho leito da enfermaria do hospital público da cidade mais próxima, orando e chorando, segurando em minha mão para me dar forças. Sentia-me muito fraca, deprimida e impotente. Apesar disso, não deixei de desejar que nosso bebê nascesse e a gravidez vingou.
Mudamos-nos para outra casa na cidade, onde iniciei um comércio de artesanato com minha cunhada.
Abrimos uma loja e tudo ia bem; no entanto, o trabalho de meu marido, que seria nossa principal fonte de sustento, já que eu teria minha terceira filha em pouco tempo, desmoronava por conta da distância entre onde morávamos e a fazenda, sede do seu trabalho.
Visando o bem da família saí da sociedade da loja e, poucos meses antes do nascimento de Iara, voltamos a morar na fazenda, o que me deixou muito insegura também.
No finalzinho da gravidez, não me sentia tão forte como nas outras vezes e sei que isso influenciou muito no parto.
Ficamos em dúvida se deveríamos ter no hospital desta vez. Eu tinha medo de tudo, mas acabamos combinando novamente com a parteira e minha mãe novamente veio, me apoiando com sua experiência e amor.
As dores de parto vinham de noite e iam ao amanhecer. No terceiro dia, decidimos que o melhor seria mesmo irmos para o hospital.
Acabamos tendo que ir para o hospital local, já que o trabalho de parto havia se iniciado e ir para mais longe seria arriscado. O médico, que já conhecíamos, fez o exame de toque e mediu a pulsação do coração e estava tudo bem, o bebê iria nascer em pouco tempo.
Fui encaminhada para a sala de espera para o parto e me aplicaram o soro indutor de contrações na veia. Não sei se foi o procedimento correto ou não, mas o soro foi aberto com um gotejamento muito acelerado e o que senti foram minhas orelhas esquentando e uma contração ininterrupta de 4 minutos. Foi horrível! Mamãe e George não sabiam o que fazer e o médico havia saído da sala para se preparar em outra sala.
Quando chegou, o bebê já estava nascendo e ele insistiu para que eu me sentasse na cadeira de rodas para irmos para a sala de parto. Quando eu estava me sentando na cadeira, a bebezinha desceu e não resisti em expulsá-la. O soro indutor gerou contrações muito intensas e sentia que estava nascendo.
Iara nasceu ali mesmo, comigo apoiada na cadeira de rodas, sem higienização alguma. George, ao perceber o que estava acontecendo, mais do que depressa correu e pegou a bebê. Minha mãe viu que o cordão estava enrolado no pescoço e desenrolou rapidamente. O médico mesmo ficou sem ação. Foi uma cena constrangedora digna de cinema trash.
Enquanto as enfermeiras levavam a Iara pelo corredor gelado, sem cobri-la, para limpeza, George corria atrás delas indignado com tudo aquilo. Fiquei na sala onde estava e retornei ao leito da enfermaria.
O médico chegou e começou a puxar minha placenta pelo cordão e apertar com força meu ventre, eu me senti abusada! Eu tentava tirar suas mãos, implorava para ele parar com aquilo, mas não tinha forças.
Ele puxou a placenta e, junto com ela, seguiu uma hemorragia em cachoeira, algo que nunca tinha visto. Chamei George que ficou horrorizado, tudo foi ficando cinza ao meu redor.
O médico voltou e notei o espanto em seus olhos. Aplicou-me então uma injeção para conter a hemorragia que trouxe todas as dores do parto de volta. George chegou e me pegou para passar para outra cama. Eu me sentia muito fraca, muito. Parecia não estar ali.
O quarto era do outro lado do corredor e, ao chegarmos no meio do corredor, caiu de mim um monte de sangue e pedaços de placenta, que se espalharam e se alastraram por todos os outros quartos, desmaiei em seguida. George me levou o restante do caminho com a certeza de que havia me perdido.
Quando acordei, minha mãe estava ao meu lado com a bebê no colo. Peguei-a com ternura, olhei-a nos olhos e disse: Sofreu, não foi meu bem? E ela imediatamente deu um chorinho doído. Foi bem impressionante, ela realmente respondeu!
Amei-a profundamente e coloquei-a para mamar.
George, que havia ido descansar um pouco, já estava ao nosso lado com lindas flores e comidinhas gostosas. Abraçamo-nos emocionados e minha mãe perguntou: “Qual vai ser o nome dela?” Foi então que eu disse: “Iara. Iara Vida em homenagem ao nosso renascimento hoje.”
Minha mãe dormiu comigo naquela noite na enfermaria.
Lembro-me de que, no fim da tarde, quando o quarto ficou vago somente para nós, uma luz diferente e brilhante, muito bela, inundou todo o ambiente e pudemos sentir a presença de anjos ali, uma benção.
Na manhã seguinte, embora os médicos quisessem que ficássemos ali, fomos embora o mais rápido possível. Apesar de tudo, as enfermeiras e toda a equipe tiveram muito carinho conosco.
Demorei um pouco para me recuperar, mas Iara cresceu linda e hoje é uma delicada menininha com dons para as artes.
Trecho do livro: Parto Sem Dor: Você Também Pode!
Autora: Maria do Sol
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
Parto Sem Dor - você também pode! Trechos do livro - O Nascimento da Miriá Lua
O Nascimento da Miriá Lua
31 de dezembro de 2000, 03h40min da madrugada
O segundo filho é uma experiência que traz uma magia diferente. Se no primeiro filho experimentamos o deslumbramento de estarmos vivendo aquilo tudo pela primeira vez, o segundo filho traz a magia de passarmos pelo evento novamente, mas agora já sabendo muito melhor o que fazer, com a esperança de não repetirmos um monte de erros que fatalmente cometemos na primeira vez por pura falta de experiência.
Desde o momento em que tivemos a primeira, já tínhamos a certeza de que teríamos mais.
Miriá chegou após dois anos e onze meses, o que consideramos uma boa distância para termos mais um filho.
Agnes já estava desmamada, já andava, falava e não usava fraldas. Engravidamos sem planejar a data exata, mas já abertos para que acontecesse. Eu me cuidava com tabelinha somente e minha menstruação já havia se regulado fazia um bom tempo.
A gravidez foi muito tranquila. Estava com 23 para 24 anos, jovem, disposta e com o físico muito condicionado por nosso estilo de vida campestre e a nova vida de mãe.
Decidimos ter novamente em casa, já que tudo transcorrera muito bem na primeira vez. Avisamos a parteira que deveria vir desta vez, pois minha mãe parecia apreensiva com o fato de termos novamente em casa e eu também sentia insegurança, como se tivesse “sobrevivido” ao primeiro.
Nessa época, morávamos em nossa casa no campo, sem luz elétrica.
Era véspera de ano novo, dia 30 de dezembro. O tempo estava chuvoso e a cidade mais próxima, onde também morava a parteira, estava lotada por conta das férias e entrei em trabalho de parto durante a madrugada. Lembro-me que, por conta da data, todos de férias, a família vinha nos visitar e perguntar sempre a mesma coisa: “E aí, já nasceu”?
Experimentei uma ansiedade tão forte com aquele barrigão, a chuva, férias perdidas, e dia após dia de espera, que decidi, imaginem, fazer uma escadinha de acesso ao rio que temos na parte de trás de nossa casa. Carreguei pedras, capinei e nadei, fiz tudo como se não estivesse com 9 meses de gravidez ou dificuldade física. Todos me mandavam parar, mas eu nem escutava.
Hoje acho engraçadíssimo lembrar meu desespero.
Na mesma noite, acordei sentindo contrações e chamei meu marido e minha mãe, que já estavam preparados.
Na mesma noite, acordei sentindo contrações e chamei meu marido e minha mãe, que já estavam preparados.
Tentei dormir o máximo possível até as contrações ficarem mais intensas. Levantei-me, o líquido amniótico da bolsa vazou um pouco e fui tomar um banho. O tampão se rompeu durante o banho, algo que não havia experimentado no parto anterior. O tampão é uma camada gelatinosa que protege a entrada do útero e sai bem antes do bebê nascer (em alguns casos).
George pegou o carro e foi atrás da parteira, que já estava de sobreaviso. Ele não queria ir, temia não dar tempo, mas minha mãe insistiu. Minha mãe, mais do que depressa, arrumou e esterilizou todo o quarto, agora já mais confiante e experiente.
Após a saída do tampão, assim que George saiu, as contrações se tornaram muito mais intensas e rápidas. Eu e minha mãe começamos a temer que acabaríamos fazendo o parto sozinhas. Eu chamava o George em meu coração, rezávamos, e as contrações continuavam se intensificando.
Quando a bebê já estava para coroar, cerca de 03h10min da madrugada, George chegou, sem a parteira. Havia procurado por toda a cidade, tentou todos os telefones que dispunha (depois descobrimos que estavam errados), mas não a havia encontrado. Resolveu voltar o mais rápido possível.
O tempo estava nublado e chuvoso, o que nos causou certa apreensão quando ele saiu. Meu marido me traz muita segurança, não queria ter a bebê sem ele. Mais tarde soubemos que a parteira, nossa querida Amércia, havia alugado sua casa, mas manteve o telefone ligado ao seu lado o tempo todo.
Naquele momento eu já me encontrava na fase delirante do parto, o transe final onde o corpo, o parto e o bebê se entregam àquele momento de renascimento e nascimento.
Em menos de 30 minutos Miriá Lua nasceu, à luz de velas. Era simplesmente linda!
Nos emocionamos muito com sua beleza.
Foi, sem dúvida, meu melhor parto até ter o parto sem dor. Eu ainda estava descansada, o trabalho de parto todo durou cerca de 4 horas, no máximo.
Logo Miriá estava em meu colo, limpinha, mamando calmamente. Deu tudo certo novamente. Acordamos a Agnes, que se emocionou ao ver sua irmãzinha, que até então não sabíamos se era menino ou menina.
Seu batizado tem uma história curiosa. Fomos batizá-la em uma cachoeira linda. Subimos o rio, em um dia ensolarado, e fomos batizar a até então Miriá. Pensei em Miriá Lua, fazendo uma homenagem ao meu próprio nome, mas George não gostou e não comentei mais nada.
Após as palavras de benção, eu disse: - “Eu a batizo, Miriá”. Lana, a madrinha, disse: - “Que nome lindo, Miriá Lua!” Olhei para o George, espantada, e disse: - “Mas eu não disse isso!” E logo soubemos que era o nome dela.
Depois disso, conseguimos registrar e correu tudo bem.
Ela teria um nome forte como sua presença neste mundo.
Trecho do livro: Parto Sem Dor: Você Também Pode!
Autora: Maria do Sol
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